Autor: Robson T. Fernandes
A luta pelo poder científico aliado a fama e obtenção de títulos acadêmicos muitas vezes tem cegado alguns pesquisadores, que ou se fazem de não sabedores dos fatos ou buscam deliberadamente esconder as evidências e corroborações bíblicas que têm sido feitas por essa ciência maravilhosa chamada de arqueologia, ciência que estuda a história dos povos e suas culturas através da descoberta e análise de vestígios.
A arqueologia é um termo originário das expressões gregas, Archaios (ἀρχαίοις) – antigo, e Logos (λόγος) – palavra, discurso, estudo, ciência.
A arqueologia tem prestado um serviço tão importante na comprovação da Bíblia que um novo ramo foi criado, e é denominado de arqueologia bíblica. Portanto, a arqueologia bíblica é aquela que busca evidências dos fatos relatados na Escritura Sagrada e que venham a elucidar algumas passagens, trazendo mais clareza sobre o assunto, ou, ainda, comprovar cientificamente algumas passagens tidas como problemáticas, ou mitológicas, como alguns ateus costumam afirmar.
Vejamos alguns exemplos:
Jericó
Alguns incautos baseam-se nas pesquisas da arqueóloga Kathleen Kenyon, que afirma que a cidade havia sido destruída 150 anos antes da chegada dos hebreus, por isso não haveria muralhas no período de sua chegada.
Os vários problemas encontrados com essas afirmações e com as pesquisas da doutora Kenyon é que ela não realizou pesquisas, nem datação com os artefatos encontrados no local da cidade de Jericó. A questão é que a mesma desenvolveu sua pesquisa numa peça que ela não encontrou, realizando seus estudos numa cerâmica cipriota importada. Muitos ‘estudiosos’ defendem a pesquisa da doutora sem nem saber o que ela fez. E mais, essa “ciência” desenvolvida pela pesquisadora foi feita em meados de 1950.
Bryant Wood, entretanto analisou a cerâmica do próprio local (cananita), que foi fruto de várias escavações em Jericó.
De acordo com as expedições a Jericó e análise do material retirado do próprio local, Wood concluiu que a destruição ocorreu por volta de 1400 a.C. (o fim do período da idade do Bronze Antigo I), o que coloca as evidências arqueológicas em perfeita harmonia com o registro bíblico.
De acordo com a pesquisa da doutora Kenyon a cidade (Jericó) teria passado por 20 fases diferentes de seu período arquitetônico onde teria sofrido doze destruições menores, culminando na última e grande destruição, que segundo pesquisas de arqueólogos que estiveram no local e dataram o material encontrado no próprio sítio (Jericó) essa grande destruição foi a mencionada na Bíblia – Josué.
O famoso arqueólogo israelita Yigael Yadin concorda com as pesquisas realizadas recentemente que apóiam o relato bíblico.
No que diz respeito a Hazor, o calor de tal incêndio teria chegado a elevada temperatura de 1200o pois foi capaz de vitrificar tijolos, derreter vasilhas de barro e explodir algumas pedras, relata o doutor Yigael Yadin.
Devido às características da Idade do Bronze Antigo I, vestígios arqueológicos, dados históricos, datações de cerâmicas, bem como uma série de outros fatores, hoje é aceito pela ciência que:
1 – A cidade era extremamente fortificada. Possuía muralhas (Js 2:5,7,15; 6:5,20);
2 – A cidade foi maciçamente destruída pelo fogo (Js 6:24);
3 – Os muros de fortificação caíram no mesmo período da destruição da cidade (Js 6:20);
4 – A destruição ocorreu no tempo da colheita, pois foram encontradas grandes quantidades de grãos (Js 2:6; 3:15; 5:10);
5 – O ataque de Jericó foi breve, pois os grãos não foram consumidos (Js 6:15,20);
6 – Os grãos não foram saqueados, como eram comumente, de acordo com a ordenança de Deus (Js 6:17-18);
7 – Os habitantes não tiveram oportunidade de fugir com seus alimentos (Js 6:1);
8 – Jericó ficou abandonada por um período após sua destruição (Js 6:26).
O fato é que podemos provar através de vários instrumentos científicos que a descrição bíblica teve uma precisão cirúrgica, apesar dos ateus lutarem contra a ciência e suas comprovações.
Historicidade dos reis Davi e Salomão
As provas arqueológicas que Avraham Biran do Hebrew Union College de Jerusalém apresentou acerca do rei Davi em 1993 foram suficientes para ninguém mais duvidasse da existência do personagem bíblico. Todavia, há algum tempo atrás muitos duvidavam da existência do mesmo e punham, mais uma vez, em dúvida a credibilidade da Bíblia até que, como uma bomba, conseguiu-se provar através de uma fonte extrabíblica a existência do mesmo. Agora não mais podendo negar sua existência, tentam negar o seu reinado.
O rei Davi é mencionado nas páginas do Antigo Testamento 1048 vezes, é o assunto primário de 62 capítulos e autor de 73 salmos. No Novo Testamento faz parte da genealogia de Cristo, na qual “Cristo é Filho de Davi” e herdará “o trono de Davi”.
Alguns, entretanto, têm tentado rebaixar Davi à condição de mero líder tribal.
No que diz respeito aos reis, existe uma dificuldade em se obter achados do período mais antigo da monarquia – período de Saul, Davi e Salomão. O problema acontece não pelo fato deles nunca terem existido, ou porque eram insignificantes num contexto histórico, não. Esse problema ocorre porque as áreas relacionadas aos reinados desses monarcas são muito pouco escavadas e exploradas (principalmente áreas que seriam muito frutíferas para a arqueologia como Jerusalém e Hebrom) devido a problemas de cunho político e religioso que vêm impossibilitar novos achados.
Não podemos, contudo, eliminar o valor das peças, e locais, que têm sido descobertos. Devemos, sim, montar esse enorme quebra-cabeça para a elucidação dos fatos.
Em Deir Alá achou-se uma inscrição aramaica citando o profeta Balaão. Entre as inscrições hebraicas achou-se menção ao Túnel de Siloé, inscrição do administrador do Rei e o óstraco de Samaria, Arade e Laquis.
A localização mais provável para o achado de promissoras peças ou construções é próxima ao monte do templo em Jerusalém.
Kathleen Kenyon e o arqueólogo israelita Yigael Shiloh encontraram estruturas mencionadas por Davi, com cerca de 15 metros de altura, conhecida como a Escadaria de Pedra, que era provavelmente a Milo Bíblica, sobre a qual Davi construiu a Fortaleza de Sião (2 Sm 5:7,9). Encontrou-se ainda o chamado “Veio de Warren”, que se acredita ser o sistema de água usado por Joabe, general de Davi, para capturar os jebuseus. Em 1997 Ronny Reich (arqueólogo israelita) descobriu na área meridional da “Cidade de Davi” uma enorme estrutura de pedra que atribui-se a uma torre de defesa. Eilat Maar está entre o “Monte do Templo” e a “Cidade de Davi” realizando escavações no provável local do palácio real de Davi.
Primeiro achou-se a chamada “Estela de Tel Dã”, ou seja, uma pedra, na qual suas linhas ‘falam’ de guerras entre os israelitas e os arameus, as quais pela Bíblia sabemos que eram constantes entre Israel e Damasco. Continua um relato a respeito de um rei de Damasco que derrotou um rei da “Casa de Israel da Casa de Davi”! Essa é uma inscrição araméia escrita aproximadamente 150 anos após o reinado de Davi, que cita a existência de Davi (não era o rei derrotado), a existência de uma guerra e do reino de Israel e Judá.
Não existe entre os arqueólogos conceituados qualquer dúvida da existência de Davi e de que seu reinado foi poderoso e abrangeu todo o Israel e não só uma tribo como alguns afirmam.
O termo “Casa de Davi” é um termo dinástico que implica que, se havia uma “Casa de Davi”, deveria ter havido um Davi que fosse rei dessa “Casa”.
Muitos afirmam que o reinado de Davi foi “insignificante”, no entanto encontramos uma demonstração de como os reinos de Israel e Judá representavam uma tremenda ameaça tanto política como militar, ao descobrir-se que o reino da Síria ergueu um monumento comemorativo por derrotar seus inimigos (Israel e Judá).
Diante de todos esses fatos seria um tanto ilógico pressupor que Davi não fosse um rei de uma nação que conquistou espaço na história de outros povos que se destacaram.
O Templo de Salomão
Alguns afirmam que o Templo de Salomão nunca existiu, entretanto sabemos da existência de três Templos que estiveram no Monte do Templo entre 960 a.C. e 70 d.C. O primeiro teve sua construção iniciada em 967 a.C. e destruição em 586 a.C. pelos babilônios. O segundo começou a ser reconstruído em 538 a.C., onde passou cerca de 500 anos no processo de reconstrução, sendo concluído definitivamente, restaurado, pelo rei Herodes no período de 19 d.C. até 29 d.C.
Em termos históricos e arquitetônicos essa (Herodes) foi a terceira reconstrução do templo, porém em termos religiosos foi a segunda porque a oferta dos sacrifícios não foi interrompida nesse meio tempo.
Em 70 d.C. o exército romano destruiu o edifício.
Foram encontradas evidências do acampamento da décima legião romana no Monte Herzl em Jerusalém (a mesma legião que destruiu o Templo).
De acordo com Flávio Josefo, historiador judeu do primeiro século, o Templo samaritano foi destruído por João Hircano em 113 d.C. As ruínas do templo samaritano foram encontradas e possuem muros com 1,82 metro de espessura, portas e altares, no qual se encontram cinzas e ossos de sacrifícios. Foram descobertos ainda edifícios adjacentes, que se supõe serem uma residência real e um edifício administrativo. Esses edifícios possuem sua planta semelhante a planta do primeiro Templo, construído por Salomão, que possuía o palácio, a sala do trono, a casa da filha do faraó , o pórtico das colunas e a casa do bosque do Líbano.
O Templo Samaritano foi descoberto abaixo da Igreja bizantina de Maria Teótoco, do século V.
Os escritos de Flávio Josefo relatam que o Templo Samaritano (abaixo da Igreja Bizantina) seria uma réplica do Templo de Zorobabel, pois é relatado que um sacerdote do Templo apaixonou-se por uma mulher chamada Nikaso (filha de um líder samaritano). O fato da mulher não ser judia obrigou o sacerdote (Menaém) a escolher entre o sacerdócio e a mulher, em que o mesmo optou pela mulher, perdendo então o acesso ao Templo. O sogro do ex-sacerdote (Sambalate) construiu então um “Templo rival”, também num monte, o Monte Gerizim fazendo de Menaém o sumo sacerdote.
De acordo com o historiador e arqueólogo Yitzhah Magen a narrativa de Flávio Josefo está correta, pois se constatou que os samaritanos adotaram todos os padrões e costumes judaicos no “Templo rival”.
Até 1967 o conhecimento do Templo de Salomão limitava-se a uma porção do “Muro das Lamentações” e a um trecho das Sagradas Escrituras. Sabia-se do Templo Samaritano (replica do Templo de Salomão), dos escritos de Flávio Josefo e outras evidências, porém, devido a impedimentos do governo muçulmano o Monte do Templo não poderia ser escavado, contudo em 1968 o arqueólogo Benjamim Mazar (com autorização) começou a realizar escavações na extremidade sul do muro ocidental e meridional do Monte do Templo, onde essas escavações coroaram a pesquisa já realizada – encontrou-se evidências da antiga existência do Templo e de sua glória.
Uma das peças que mais marcou as escavações foi um pedaço da balaustrada superior do Templo que havia se partido em dois pedaços, um maior e outro menor, e se achava a inscrição (no menor): “Ao Lugar das Trombetas”. Esse era o lugar onde os sacerdotes tocavam as suas trombetas convocando o povo para verem a glória de Deus, e foi nesse lugar que Deus começou a convocar os arqueólogos para verem e mostrarem ao mundo a glória da veracidade de Sua Palavra – A Bíblia.
As escavações continuaram e à medida que se escavava se descobriam novas evidências, objetos e construções, onde o que mais se destaca é o “Arco de Robinson” – parte do apoio de uma grande escadaria que ligava a parte superior e a inferior do lado sudoeste do Monte do Templo.
Achou-se ainda a “Escadaria Monumental” no muro meridional e suas portas (portas duplas e triplas) que eram o acesso principal para a população entrar no Templo.
No muro ocidental do Monte do Templo realizou-se uma das mais problemáticas escavações, devido ao governo muçulmano. Escavou-se a uma profundidade de 15,8 metros, iniciando-se os trabalhos em 1968 e concluindo-se em 1985, sob a direção de Dan Bahat (ex-arqueólogo distrital em Jerusalém com a Autoridade das Antiguidades de Israel). As escavações descobriram a porção exposta do muro Herodiano que possuí um comprimento de aproximadamente 275 metros com 90 centímetros a 1,20 metro de largura e 1,82 a 2,43 metros de altura. O túnel era chamado de “Túnel dos Rabinos”, pois se acredita que era por ele que os sacerdotes que oficializavam no Templo passavam.
As características desse muro são impressionantes, pois existe um trecho em que há blocos de pedra que possuem 3,35 metros de altura e variam de 182 a 12,80 metros de extensão. Estima-se que a maior pedra tenha em torno de 4,57 metros de altura, 12,80 metros de comprimento e 4,26 metros de profundidade, sendo mais pesada que a maior pedra encontrada nas pirâmides do Egito!
A maior pedra da grande pirâmide pesa em torno de 10.000 quilos, enquanto que a pedra encontrada nas escavações do Templo pesa cerca de 545.000 quilos. No decorrer do Túnel do Muro Ocidental descobriu-se ainda um das antigas portas do Monte do Templo. É uma porta grandiosa que dava para a plataforma do templo em frente ao local onde ficava o ‘Santo dos Santos’, porém devido a complicações com o governo muçulmano essa porta foi hermeticamente fechada.
Sabemos que o Templo de Herodes foi construído imediatamente acima do Templo de Salomão, com a mesma estrutura e provável arquitetura. Pela Engenharia civil podemos concluir, a partir do ‘alicerce’, que estrutura colossal deveria possuir o Templo.
Para que o leitor possa se familiarizar com as dificuldades dessas escavações, citamos o exemplo de 1996 quando 53 pessoas foram mortas, em uma revolta, por causa da abertura à visitação pública de uma nova saída que dava acesso ao “Túnel Hasmoneano”.
“Os Hititas eram considerados como uma lenda bíblica até que sua capital e registros foram encontrados em Bogazkoy, Turquia. Muitos pensavam que as referências à grande riqueza de Salomão eram grandemente exageradas. Registros recuperados mostram que a riqueza na antiguidade estava concentrada com o rei e que a prosperidade de Salomão é inteiramente possível”.
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Esses são apenas alguns pequenos exemplos de como a Bíblia é veraz e como a arqueologia tem se tornado o calcanhar de Aquiles para aqueles que se dedicam a contradizer a Escritura Sagrada.
Robson Tavares Fernandes é casado com Maria José Fernandes e residem na cidade de Campina Grande, onde são membros da Igreja Cristã de Nova Vida. É bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Tem se dedicado desde 1998 ao ensino e pesquisa bíblica na área de Apologética, sendo autor de vários artigos já publicados. Atuação como professor: Curso de Teologia da Igreja Batista da Palmeira, CBA (Curso Básico de Apologética) e ITESMI (Instituto Teológico Superior de Missões). Atuação como pesquisador: VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Atuação como palestrante: Encontro para a Consciência Cristã, Simpósio Criacionista da Paraíba, Seminário Criacionista da Alagoas. Tem ministrado, ainda, palestras em igrejas, escolas e universidades.
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