Campina Grande,
11/11/2004
Israelenses não lamentam morte do "terrorista" Arafat
JERUSALÉM (Agência Reuters)
JERUSALÉM (Agência Reuters) - Enquanto os palestinos lamentavam a morte de Yasser Arafat, visto como o símbolo de sua luta por um Estado soberano, os israelenses mostravam desprezo pelo homem que chamam de o "mestre do terror" e que culpam pela morte de centenas de judeus.
"Acho que nem o inferno o aceitaria", disse Moti Cohen, para quem Arafat é pessoalmente responsável pela morte de um amigo que dirigia um ônibus destruído em um atentado a bomba. "Todas as medidas que ele tomou foram para destruir nosso povo".
"Bem no fundo, sinto-me feliz", afirmou Moshe, atendente de uma loja em Jerusalém. "Ele inventou o terrorismo e pensou que, pela violência, fosse conseguir o que queria. Não conseguiu".
Membros do gabinete israelense também deram declarações bastante duras sobre o presidente palestino, que ficou confinado por forças israelenses dentro da sede de seu governo em Ramallah (Cisjordânia) durante dois anos e meio e que se viu boicotado pela atual liderança dos Estados Unidos.
O governo de Israel não divulgou nenhuma declaração oficial de condolências e o primeiro-ministro do país, Ariel Sharon, não mencionou o nome de Arafat ao afirmar que os "últimos acontecimentos" poderiam significar uma grande mudança na situação da região.
"Eu o odiava por causa da morte de milhares de israelenses. Eu o odiava por evitar os acordos de paz entre nós e os palestinos", disse o ministro da Justiça de Israel, Yosef Lapid.
"É bom que ele tenha partido, que ele tenha deixado o mundo e o Oriente Médio".
O líder do Partido Trabalhista israelense, Shimon Peres, o ex-premiê que dividiu o Nobel da Paz com Arafat e com o então premiê Yitzhak Rabin, também não poupou críticas ao dirigente palestino.
"Toda vez que ele se voltava para o terrorismo, ele cometia um erro. Ele deveria ter agido contra o terrorismo", afirmou Peres. "Mas ele desejava ganhar a boa vontade do povo palestino, ele queria ser popular".
Temido como líder guerrilheiro, Arafat transformou-se em um defensor da paz nos anos 1990 para negociar a criação de um Estado palestino.
Israel o acusava de fomentar o levante palestino, iniciado em 2000, depois de os acordos de paz de Oslo terem chegado a um impasse. Arafat sempre refutou essa acusação.
Entre os líderes israelenses, apenas Yossi Beilin, um dos arquitetos dos acordos de Oslo, apresentou uma declaração de consolo. "Este é um dia triste para o povo palestino", afirmou em um comunicado. Beilin também acrescentou que os palestinos precisavam "se desengajar dos últimos quatro anos de violência".
Mas muitos israelenses disseram temer que a morte de Arafat trouxesse mais ataques suicidas. "Se eu achasse que tudo começou e terminou com ele, eu estaria feliz", disse Hanna, uma colona judia na Cisjordânia. "Mas sabemos que há milhões esperando para tomar seu lugar, e que nada vai mudar".
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