Campina Grande,
03/11/2004
Casamento gay tem derrota e pesquisa com células-tronco avança com plebiscitos
Os primeiros resultados dos plebiscitos nos Estados americanos, que aconteceram junto com as eleições, apontam para vitória dos conservadores no tema mais freqüente da consulta popular: a união homossexual.
Nos EUA, a autonomia dos Estados permite que muitos assuntos sejam decididos na esfera local. As questões a serem votadas também variam – desde impostos e salários até o direito de se pedir uma garrafa grande de bebida em um bar – e, neste ano, nos 11 Estados que colocaram o tema nas cédulas, a população rejeitou o casamento gay.
Os eleitores de Arkansas, Geórgia, Kentucky, Mississippi, Oregon, Utah, Michigan, North Dakota, Ohio, Oklahoma e Montana aprovaram, com grande maioria, emendas às Constituições estaduais que, com suas peculiaridades, colocam-se contra a união de pessoas do mesmo sexo.
Em Michigan, por exemplo, a emenda não trata explicitamente da questão dos gays, mas define o casamento como “união entre um homem e uma mulher”. Em Ohio, foi aprovada uma emenda banindo qualquer status que procure aproximar a relação homossexual de um casamento. Em Cincinnati, capital do Estado, os eleitores também decidiram manter uma proibição a leis de direitos homossexuais – a única dos EUA – que vigora há 11 anos.
Na Califórnia, o foco foi em outra questão debatida mundialmente: a pesquisa com células-tronco. Os eleitores do Estado aprovaram a venda de US$ 3 bilhões em títulos para financiar estudos científicos, numa vitória da opinião defendida pelo governador Arnold Schwarzenegger – e uma derrota da posição do presidente George W. Bush, também republicano.
Segue em disputa, no Alabama, uma medida que visa a banir da Constituição do Estado liguajar que remete à época da segregação racial oficial neste Estado do Sul dos EUA.
Na Flórida, a população aprovou uma iniciativa para limitar o direito à privacidade de meninas com menos de 18 anos. A decisão é uma tentativa de instituição de lei que exija notificação dos pais caso menores queiram abortar.
Outro tema polêmico, a maconha foi objeto de voto em dois Estados americanos. O Alaska rejeitou a proposta de legalizar e impor taxas à venda da droga. A população de Montana, por sua vez, deu seu aval para o uso da maconha com fins medicinais.
A caça apareceu nas cédulas da Louisiana, onde uma emenda constitucional foi aprovada a fim de garantir o direito de se caçar e pescar. Em Maine, praticantes da caça esportiva de ursos conseguiram derrotar uma proibição do uso de armadilhas, cães e iscas na atividade.
O esporte também saiu vitorioso no Texas, onde a população de Arlington, cidade do time de beisebol Texas Rangers, aprovou um aumento de imposto para financiar metade da construção do novo estádio da equipe de futebol americano do Dallas Cowboys, orçado em US$ 650 milhões.
A partir do plebiscito, o Colorado implantará uma taxa de 64 centavos de dólar para o cigarro, dinheiro que será revertido para programas de educação e saúde. Em Oklahoma, a taxa já existia e foi aprovado um aumento.
O Arizona definiu a limitação de serviços públicos a imigrantes ilegais; Nebraska rejeitou uma proposta para permitir cassinos em qualquer lugar no Estado; na Virgínia, Estado atingido pelos ataques de 11 de setembro, passou uma emenda que aumenta a lista dos sucessores do governador em caso de emergência.
Uma das decisões mais peculiares deste ano coube aos eleitores de South Carolina. Eles tinham de votar pela extinção ou não de uma exigência estadual para que bares e restaurantes usem apenas mini-garrafas de bebidas (como as usadas em vôos) para servir seus clientes. A questão, polêmica por causa da incidência de impostos sobre os diferentes tamanhos de vasilhames, acabou sendo vencida pelos que defendem a liberdade da clientela em relação ao tipo de garrafa.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/eleicoes2004 e agências internacionais
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