A guarda do sábado é o Selo de Deus? (Parte IV)
Pr. Joel Santana


      É importante informar em toda esta série de artigos refutatórios ao fato dos asd (adventistas do sétimo dia) dizerem que o cristão deve guardar o sábado, que eles respondem positivamente à pergunta que deu título aos artigos que este articulista ora elabora.
      Nos artigos II e III vimos o que Paulo, respectivamente, disse aos colossenses e aos coríntios quanto à guarda do sábado. Agora veremos o que ele disse aos gálatas e aos romanos. Além disso, veremos o lado moral e cerimonial do sábado.
I. O Sábado e os Gálatas
      Aos gálatas escreveu o apóstolo Paulo: “Outrora, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses; agora, porém, que já conheceis a Deus, ou melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Temo a vosso respeito não haja eu trabalhado em vão entre vós” (Gl. 4.8-11 - Versão Revisada). Nesta passagem bíblica o apóstolo Paulo chama a observância de “dias, meses, tempos e anos”, de “rudimentos fracos e pobres” e declara não duvidar da perdição dos que a isso se apegam, quando afirma: “Estou receoso de haver trabalho em vão entre vocês” (Gl. 4.11). Aparentemente, este texto colide com Rm. 14, onde o apóstolo Paulo deixa claro que ninguém se perde pelo simples fato de optar pela observância de um determinado dia. Mas a verdade solene é que a Bíblia é um todo coerente, e este problema se resolve informando que os gálatas estavam se deixando levar pelos judaizantes que apresentavam estas coisas como tábuas de salvação (At 15.1). Este caso é similar ao que se deu em relação à circuncisão. Paulo circuncidou Timóteo (At 16.1-5), mas repreendeu os gálatas por estarem se circuncidando (G l5.2-4); como também deixou claro que guardar ou não um determinado dia não é motivo de condenação (Rm 14), embora não negue que receava perder o trabalho que ele tivera quando levara o Evangelho à Galácia, por estarem agora os gálatas, que se diziam cristãos, guardando dias. O problema não estava na guarda do dia, mas na finalidade com que o guardavam.
      Em termos simples, o que Paulo disse aos gálatas foi o seguinte: “Quando vocês não conheciam a Deus, vocês serviam aos ídolos; mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo conhecidos por Deus, como voltam a essas coisas primárias, fracas e pobres, às quais novamente querem servir? Vocês estão guardando dias, meses, tempos e anos, por julgarem estas coisas indispensáveis para salvação. Isto me faz ficar receoso de haver perdido todo o trabalho que eu tivera para evangelizar e doutrinar a vocês, pois este procedimento leva á perdição”. Assim, podemos perceber que a guarda de um determinado dia (no caso, o sábado) pode não ser “uma simples infantilidade inofensiva praticada pelos asd”, como erroneamente supõem alguns evangélicos mal informados. O Sabatismo é perigoso. Ele é uma artimanha de Satanás para nos pôr a perder.
      Os asd alegam que os dias que Paulo desaconselhou os gálatas a guardar não são uma referência ao sábado semanal; mas o fato de o apóstolo Paulo não dar nome a esses dias, prova que o cristão não pode guardar dia algum, julgando-o indispensável à salvação.
      Satanás tudo faz para não fitarmos o Gólgota. Para isto ele usa recursos diversos, como a idolatria, a feitiçaria, o ateísmo, o materialismo, as orgias sexuais, a embriaguez, o paganismo, as vãs filosofias etc.; inclusive procura nos entreter com a guarda de um determinado dia. Cuidado! Afastem-se desse abismo! A queda será fatal
II. O Sábado e os Romanos
      Em Rm 7. 4-7 o apóstolo escreveu: “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a Lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos a fim de que demos frutos para Deus. Porque quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela Lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte. Mas agora ESTAMOS LIVRES DA LEI, pois morremos para aquilo em que ESTÁVAMOS retidos, para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.
Que diremos, pois? É a Lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei, porque eu não conheceria a concupiscência se a Lei não dissesse: ‘Não cobiçarás’ ” (ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA - grifo nossos).
Este trecho das Escrituras Sagradas nos assegura que ESTAMOS LIVRES DA LEI. E o que a Bíblia quer nos dizer com isto? Nada?! E que Lei é essa da qual estamos livres? Os sabatistas com os quais tenho dialogado responderam a essas perguntas de diversas maneiras. As respostas mais comuns foram as seguintes:“Não se trata da Lei de Deus (os Dez Mandamentos), e sim, da Lei de Moisés (os preceitos cerimoniais)”. Mas o fato de o apóstolo Paulo citar um mandamento do Decálogo no versículo sete, prova cabalmente que ele estava se referindo aos Dez mandamentos, ou seja, ao que os asd chamam de Lei de Deus. Paulo não poderia mencionar um preceito do Decálogo no versículo sete para corroborar o raciocínio que ele vinha desenvolvendo, se no contexto o vocábulo “lei” não fosse uma referência ao Decálogo. Sim, não poderia, pois lhe faltaria coerência. Se a Lei, que segundo Paulo comentou no versículo sete proíbe a cobiça, não fosse a mesma mencionada nos versículos anteriores, a citação deste mandamento moral seria um “corpo estranho” dentro do texto em apreço. Assim sendo, a Lei da qual estamos livres é, sem dúvida alguma, o Antigo Testamento. E como a ordem para se observar o sábado semanal é parte integrante daquele Pacto, os cristãos estão livres desse jugo também. Exceto se este mandamento estivesse repetido no Novo Testamento.
      Os asd disseram-me ainda que “livres da Lei diz respeito à absolvição da condenação que pesava sobre nós, a qual foi removida por termos recebido a Cristo”. Porém, à luz da Bíblia, os “livres da Lei” estão libertos não só da condenação da Lei, mas também da obediência à Lei. Doutro modo teríamos que sacrificar animais a Iavé até hoje.
III. O Sábado: Moral ou Cerimonial?
      O quarto mandamento do Decálogo era moral e cerimonial ao mesmo tempo. O lado moral deste mandamento é a necessidade que temos de descansarmos periodicamente, para recuperarmos os desgastes do labor da vida. E o lado cerimonial é o fato desse descanso ter que ocorrer precisamente no sétimo dia da semana. Por que no sétimo? Se descansarmos ás quartas-feiras, não estaremos também nos repousando um dia, a cada sete?
      A necessidade de cessarmos nossas atividades seculares pelo menos um dia por semana para, entre outras coisas, intensificarmos a adoração a Deus, é um princípio moral que, sem dúvida, está de pé. O cristão só não tem é a letra desse mandamento, pois além de constar de uma lei que a cruz de Cristo tornou obsoleta, não consta da Nova Aliança. Assim sendo, sempre que for possível, paremos com os nossos afazeres e rendamos culto ao nosso grande Deus. E ao fazermos isto, se possível, tenhamos em conta o primeiro dia da semana, para comemorarmos a maravilha incomparavelmente superior à criação do Universo, a maravilha da ressurreição de Cristo, a qual nos justifica para com Deus (Rm 4.25). É evidente que o Deus que “descansou” com a conclusão da criação do Universo, “descansa” muito mais com o milagre que nos justifica para consigo; e assim sendo, é justo que façamos festa, ombreando-o nas comemorações. Porém, não nos sobrecarreguemos de regrinhas, transformando o domingo numa espécie de sábado. Lembremos que o Novo Testamento não manda guardar dia algum. O primeiro dia da semana tornou-se conhecido entre os cristãos pelo nome de “dia do Senhor”, porque os cristãos o observavam, e não por determinação divina.
      Lembremo-nos que temos algo incomparavelmente superior ao descanso semanal, a saber, o descanso espiritual (do qual o sábado semanal era uma sombra, Cl. 2.16-17) nos braços eternos e onipotentes de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Mt 11.28). Este é o verdadeiro sábado e é ininterrupto.

Leia Também:
» Parte I
» Parte II
» Parte III
 

Pr. Joel Santana

Transcrito, com adaptação, do livro intitulado “Igreja” Adventista: Que Seita é Essa?, da autoria deste articulista. Para adquirir este livro, deposite na c/ c 39645-1, agência 0204, Banco Itaú, a importância de R$ 17,00 e remeta para o endereço abaixo uma fotocópia do comprovante do depósito bancário, informando seu nome, endereço e o objetivo do depósito. Use letras de forma.
Pr. Joel Santana.
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