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Este é o terceiro artigo com este título, publicado
neste periódico. Se o leitor leu os artigos anteriores já sabe não só que os
asd (adventistas do sétimo dia) respondem positivamente à pergunta acima que
serviu de epígrafe, como também não ignora que (via de regra) com isso os
asd querem dizer que a observância do sábado é o distintivo dos verdadeiros
cristãos.
Eu fiz constar do primeiro artigo que os asd se
equivocam por duas razões:
a) por dividirem a Lei em duas Leis: Lei de Deus (os Dez Mandamentos) e Lei
de Moisés (os preceitos cerimoniais);
b) por dizerem que a Lei de Deus, ao contrário da Lei de Moisés que expirou
na cruz, está de pé; e,
c) por estabelecer à base dessa falsa premissa a guarda do sábado é um
mandamento ainda vigente.
A exposição abaixo visa demonstrar que o apóstolo Paulo
deixou claro que o cristão não vive sob a Lei nem mesmo parcialmente. Nada,
do Pacto de Deus com os judeus, nos diz respeito. O cristão está sob a Nova
Aliança.
Em II Co. 3.6-16 podemos ler o que se segue: “O qual
nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra,
mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica”. E, se o
ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de
maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés,
por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, como não será de
maior glória o ministério do Espírito? Porque, se o ministério da condenação
foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça. Porque
também o que foi glorificado, nesta parte, não foi glorificado, por causa
desta excelente glória. Porque, se o que era transitório foi para glória,
muito mais é em glória o que permanece.
Tendo, pois, tal esperança, usamos de muito ousadia no
falar. E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que
os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era
transitório. Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo
véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo
abolido. E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração
deles. Mas, quando se converterem ao Senhor, então, o véu se tirará “.
(Edição Revista e Corrigida).
No texto acima transcrito se pode observar o seguinte:
1) O Decálogo, isto é, os Dez Mandamentos, é chamado de “ministério da
morte” (7a) e de “ministério da condenação” (9a), enquanto que o Novo
Testamento é chamado de “ministério do Espírito” (8) e de “ministério da
justiça” (9b);
2) Do Decálogo se diz que “veio em glória” (7), enquanto do Novo Testamento
se diz que “é de maior glória” (8) e que “excederá em glória” (9b);
3) Do Decálogo se diz que “era transitório” (11a; 13b; 7b), isto é, estava
de passagem, ou seja, era provisório; e do Novo Testamento se diz “que
permanece” (11b);
4) Do Decálogo se diz que “foi por Cristo abolido” (14b), mas do Novo
Testamento se afirma, como eu já disse e repito, “permanece”.
Esta porção das Escrituras Sagradas deixa os asd num
beco sem saída. Sempre que lhes mostramos que a Lei foi abolida por Cristo,
eles alegam que “não se trata da Lei de Deus, da qual o Decálogo é um
resumo; e sim, da Lei de Moisés, cujos preceitos são cerimoniais e,
portanto, sombras das realidades porvir”. Mas agora eles não podem dizer
isso, visto que neste trecho da Bíblia o apóstolo Paulo fala exatamente do
Decálogo; sim, é o Decálogo que o apóstolo Paulo chama de “ministério da
morte”, “ministério da condenação” e afirma que ele era “transitório”, isto
é, ele não veio para ficar. Os seus dias estavam contados. Seu fim se
aproximava a passos galopantes.
Está mesmo o apóstolo Paulo falando aqui dos Dez
Mandamentos? Claro que sim, visto que ele, ao falar a respeito do
“ministério da morte”, acrescentou que o mesmo foi “gravado com letras em
pedras” (7a). Ora, o que foi “gravado com letras em pedras” a não ser o
Decálogo?
Muitos crêem que “o ministério da morte, gravado com
letras em pedras” refere-se a uma “cópia da Lei de Moisés, a qual este
escrevera” (Js. 8.32); Esta conclusão, porém, é precipitada, pois está claro
que são os Dez Mandamentos que constituem o que o apóstolo Paulo chama de “o
ministério da morte”, porquanto, II Co. 3.7 refere-se não ao tempo de Josué
e, sim, ao tempo de Moisés. II Co. 3.7 diz claramente esta verdade. Vamos
relê-lo? “E se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em
glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar olhos na face de
Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória...” ( Grifo
nosso).
Sempre que mostrei este trecho da Bíblia aos asd, eles
tentaram sair dessa situação embaraçosa das seguintes maneiras:
a) disseram-me que “Paulo não estava falando da Lei de Deus, e sim, da Lei
de Moisés”. Vimos, porém, que o texto em tela não admite esse subterfúgio,
pois trata especificamente do Decálogo, que eles chamam de Lei de Deus e
dizem que está de pé;
b) No versículo 14, o que foi abolido não teria sido o “Antigo Testamento, e
sim, o “véu” do obscurantismo espiritual, próprio dos incrédulos”. Ora, isso
é evasiva. O contexto deixa claro que Paulo se referia à Lei;
c) citaram Jr. 31.31-32, que diz: “Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que
farei um pacto, com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o
pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar
da terra do Egito, esse meu pacto que eles INVALIDARAM, apesar de eu os
haver desposado, diz o Senhor” (grifo nosso, Versão Revisada). E
“explicaram” o texto em análise assim: “A palavra original, traduzida em II
Co. 3.7 por ‘transitória’, pode ser traduzida também por ‘abolida’; Isto
significa que os judeus, por causa da sua desobediência, estavam, como bem o
observou Jr (31.31-32), invalidando ou ABOLINDO a Lei de Deus, isto é,
estavam tornando-a sem efeito em suas vidas, visto que ela só é eficaz na
vida daquele que a obedece. É disto que Paulo estava falando”. Mas este
“argumento”, aparentemente sólido, é um disparate que só serve para revelar
o desespero daqueles que, embora sabendo que o erro não presta, não querem
abandoná-lo, por estarem apaixonados pelo mesmo. Senão, raciocinemos: Se o
motivo pelo qual o apóstolo Paulo disse que o Decálogo era transitório,
fosse porque havia alguém transgredindo-o, ele não poderia contrastá-lo com
o Novo Testamento, afirmando que este, ao contrario daquele, permanece;
visto que o Novo Testamento é transgredido pela grande maioria da
humanidade. Se o Decálogo era transitório, porque não estava sendo obedecido
por alguém, o Novo Testamento transitório é, já que a maioria esmagadora não
o vive também. E, como sabemos, o Novo Testamento também só é eficaz na vida
daquele que o aceita. E os falsos cristãos apenas fingem aceitá-lo.
Concordamos plenamente que o original grego traduzido
na ARC por “era transitório” pode ser traduzido por “estava sendo abolido”;
mas a “explicação” que os asd me têm dado desta passagem bíblica, não
resiste um confronto com a Bíblia.
O trecho bíblico em lide (a saber, II Co. 3.6-16) pode,
por si só, dirimir as dúvidas dum inquiridor sincero, pois diz sem rodeios
que o Decálogo era transitório, ou seja, estava sendo abolido, e que
finalmente sucumbiu com Cristo no Gólgota. Observemos que o versículo 16 diz
abertamente que o “Velho Testamento... foi por Cristo abolido” (ALMEIDA
REVISTA E CORRIGIDA).
Quando a Bíblia diz que o Decálogo “estava sendo
abolido”, quer dizer com isso que a Lei estava destinada a expirar no
Calvário e que, portanto, a partir do momento que ela veio à existência, seu
fim se aproximava a cada minuto que passava.
Por dizer a Bíblia que o Decálogo era transitório, a
guarda do sábado semanal transitória era, pois, como todos sabemos, a ordem
para se guardar o sábado é o quarto mandamento do Decálogo.
Como já vimos no primeiro artigo, os asd alegam que se
o Decálogo tivesse sido abolido, poderíamos matar, furtar, adulterar, tomar
o nome de Deus em vão, adorar ídolos, desobedecer aos pais, mentir, caluniar
etc.; visto que, não havendo Lei, não pode haver pecado, já que o pecado é a
transgressão da Lei (Rm 4.14). Mas eles precisam saber de três coisas:
1a.) O cristão não está debaixo do Decálogo (é verdade), mas também não está
sem Lei. O cristão está sob o jugo de Cristo (Mt 11.28-30). Conforme bem o
disse o apóstolo Paulo, estamos sob a Lei de Cristo (I Co. 9.21);
2a.) Os ímpios continuam sendo contemplados por Deus à base da Lei e os
juízos que por ela resultam (I Tm 1.9-10)
3a.) Se o Decálogo não existe para o Cristão, e sim, para os ímpios, quando
um ímpio se converte a Cristo, deixa, simultaneamente, de ser contemplado
por Deus à base da Lei e os juízos que dela resultam e passa,
automaticamente, a estar sob as cláusulas do Novo Pacto que ele e Cristo
firmam, no ato da conversão.
Relembro aos asd que, com exceção da sábado, todos os
preceitos do Decálogo, bem como todos os mandamento morais de todo o Antigo
Testamento estão repetidos no Novo Testamento. E isto é digno de nota, pois
este fato testifica que o sábado era sombra dos bens futuros. Sim, porque se
o sábado fosse moral, certamente teria sido repetido no Novo Testamento,
como os demais preceitos o foram.
Leia Também:
» Parte I
» Parte II
» Parte IV
Pr. Joel Santana
Transcrito, com adaptação, do livro intitulado “Igreja” Adventista: Que
Seita é Essa?, da autoria deste articulista. Para adquirir este livro,
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