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Como vimos no artigo anterior, intitulado A Guarda
do Sábado é o Selo de Deus? I, os asd (adventistas do sétimo dia) respondem
positivamente a esta pergunta.
Disse o apóstolo Paulo aos colossenses: “Ninguém, pois,
vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de
lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é
de Cristo” (Cl 2.16,17. Grifo nosso). Esta passagem bíblica deveria ser mais
que suficiente para provar que os cristãos não precisam guardar o sábado,
pois diz textualmente que os sábados e outros preceitos como lua nova, dias
de festa, etc., eram sombras ou tipos das realidades vividas hoje por nós,
no Novo Testamento. Mas os adventistas “refutam” este argumento, dizendo na
obra intitulada Estudos Bíblicos, editada pela CPB, página 378, que os
sábados aí mencionados não são os sábados semanais e sim, as festas
judaicas, como a páscoa, o pentecostes, o jubileu, a lua nova etc.. Mas eles
precisam atentar para o fato de que se assim fosse, o apóstolo Paulo não
precisaria dizer que ninguém pode nos condenar, por não estarmos observando
os dias de festa e os sábados. Observemos que o apóstolo diz que ninguém
pode nos julgar... por causa dos DIAS DE FESTA... ou de SÁBADOS. Logo, as
festas e os sábados sãos distintos, ou seja, uma coisa não é a outra. E se
são coisas distintas (embora seja verdade que as festas ou solenidades
judaicas são chamadas de sábados no original hebraico), os sábados aqui
referidos por Paulo são, necessariamente, os sábados semanais.
Em seu livro intitulado Subtileza do Erro, o pastor
adventista Arnaldo B. Christianini “retruca” este argumento, dizendo que a
lua nova também era dia de festa, e, não obstante, o apóstolo destacou os
dias de festa da luz nova. Ele quer dizer com isso que assim como a lua nova
era um dia de festa como os demais dias festivos, mas o apóstolo a destacou
das outras festas, também os sábados mencionados no texto em questão (Cl.
2.16) são as festas judaicas, não obstante estarem destacados dos demais
dias festivos. Segundo o pastor Christianini, trata-se duma repetição, para
reforçar a idéia. Mas, por que a interpretação tem que ser essa? Essa
“hermenêutica” é a única admissível? Será que ele não desconfia da
possibilidade de estar equivocado?
A razão pela qual Paulo destaca a lua nova dos demais dias festivos é porque
estas solenidades se concretizavam mensalmente. Ora, por mais solene que
seja, algo que se faz todos os meses não pode ser considerado festa, no
sentido pleno da palavra. A festa magna do Cristianismo é a Santa Ceia do
Senhor. Não obstante, se o leitor for à minha igreja em dia de Santa Ceia e
me perguntar: “Há festa hoje?” eu lhe responderei dizendo que não. Embora em
seguida eu possa anunciar de púlpito: “Hoje estamos celebrando a maior festa
do Cristianismo, a saber, a Ceia do Senhor, a qual tem por finalidade fazer
com que não olvidemos do que o nosso Redentor fez por nós na cruz!”. E não
há em tudo isso nenhuma contradição. Além disso, cada culto é, a bem-dizer,
uma festa, apesar de não sê-lo no significado primário desta palavra. Sim, a
Santa Ceia do Senhor é uma solenidade estupenda, mas como a celebramos
amiúde, isto é, todos os meses, não a chamamos de festa, exceto quando
queremos salientar a sua importância.
Como já está claro, os sábados são chamados de sombras
dos bens futuros. Ora, os asd concordam que tudo quanto era sombra foi
abolido por Cristo. Este é o motivo pelo qual também não se circuncidam, não
observam o ano sabático, não sacrificam animais a Iavé, e assim por diante.
Ora, só lhes falta agora abrirem mão do sábado semanal também, já que,
segundo a Bíblia, as prescrições a respeito das comidas, das bebidas
(libações), dos dias de festa, da lua nova, e dos sábados, também são
sombras dos bens futuros, isto é, tipos, que se findaram quando os seus
antítipos chegaram.
Via de regra asd alegam que o sábado semanal não pode
ser sombra, visto que, entre outras razões, foi estabelecido antes da
entrada do pecado no mundo (Gn 2.2-3). Quanto a isso, porém, eles necessitam
atentar para três coisas:
² Primeira: Que os sábados eram sombras, é a Bíblia que o diz textualmente
e, portanto, não se trata de uma inferência ou dedução que possa ser julgada
pelos nossos interlocutores. A Bíblia dá, ou não, a última Palavra? Estamos
sendo norteados pela Bíblia ou pelas nossas próprias razões?
² Segunda: Talvez o sábado não tenha sido sombra inicialmente, mas, sem
duvida, foi integrado ao conjunto das normas do Pacto firmado entre Deus e
os judeus, como sombra; e é a Bíblia que o diz, como já vimos em Cl 2.16.
Podemos refutar ao que está claramente exarado nas páginas do Livro dos
livros?
² Terceira: Onde está escrito que Deus não poderia instituir uma sombra dos
bens futuros, antes da entrada do pecado no mundo? Os que respondem dizendo
que não está escrito, mas é óbvio, certamente ignoram que Deus é presciente
e previdente. A Bíblia, porém, deixa claro que a entrada do pecado no mundo
não pegou Deus de surpresa e desprevenido; senão, examine estas referências
bíblicas: II Tm. 1.9; Ef. 1.4; I Pe. 1.2; Ap. 13.8; 17.8; Is. 46.10; etc..
A maneira paulina de alistar os dias de festa, a lua nova e os sábados é
antiga, pois consta do Antigo Testamento. Para provar isso transcrevo aqui I
Cr. 23.31, II Cr. 31.3 e Is. 1.13-14, respectivamente:
“E oferecerem continuamente perante o Senhor todos os
holocaustos, nos sábados, nas luas novas e nas festas fixas, segundo o
número ordenado”;
“A contribuição da fazenda do rei foi designada para os
holocaustos: os holocaustos da manhã e da tarde, os holocaustos dos sábados,
das luas novas e das festas fixas, como está escrito na Lei do senhor”;
“Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para
mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembléias...
não posso suportar a iniqüidade e o ajuntamento solene! As vossas luas
novas, e as vossas festas fixas, a minha alma as aborrece; já me são
pesadas; estou cansado de as sofrer”.
Como se pode ver, lendo as transcrições acima, a lua
nova, embora sendo também um dia solene entre os judeus, sempre foi
destacada das festas fixas. Paulo não foi o primeiro a usar este critério, e
um razoável motivo para as coisas serem assim é o fato de que se tratava
duma solenidade que se concretizava amiúde: era um cerimonial mensal.
Uma pergunta que certamente ajudará os asd a enxergar
que realmente os sábados de Cl. 2.16 são semanais é: Como um sacerdote do
Antigo Testamento, séculos antes do nascimento de Cristo, interpretava I Cr.
23.31? Ele tinha que saber o certo, pois era ele quem tinha a incumbência de
oferecer os sacrifícios ali prescritos, segundo o número ordenado. Será que
ele não estaria equivocado se não oferecesse os holocaustos dos sábados
semanais por achar que os sábados, neste caso, eram as festas fixas ? Pensem
nisso os asd sinceros! Se o leitor perguntar aos rabinos se os sábados de I
Cr 23.31 são semanais, seguramente dirão que sim. E creio piamente que se
esta pergunta fosse formulada aos mais piedosos sacerdotes alguns séculos
antes do nascimento de Jesus, todos eles diriam o mesmo. Não é possível
chegar-se a uma conclusão contrária. Eu duvidaria da sinceridade daqueles
que dissessem que, segundo lhes parece, os sábados de I Cr 23.31 não são
semanais. E se em I Cr. 23.31 os sábados são semanais, então os de Cl 2.16
também o são. E, sendo assim, os sábados semanais eram sombras. E, se eram
sombras, passaram-se.
Creio que a Bíblia deixou claro para todos nós que o
sábado era sombra, e se era sombra morreu na cruz, foi sepultado no
Pentecostes e jamais ressuscitou, com o que também concordariam os asd. Os
asd tentam reanimá-lo, mas ele não reage. E como amam-no apaixonadamente,
transportam sobre os ombros esse defunto tão pesado; mas estas linhas têm
por objetivo encorajá-los a sepultar esse defunto que já foi velado em
demasia.(continuação na próxima edição).
Leia Também:
» Parte I
» Parte III
» Parte IV
Pr. Joel Santana
Transcrito, com adaptação, do livro intitulado “Igreja” Adventista: Que
Seita é Essa?, da autoria deste articulista. Para adquirir este livro,
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