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Ex-adepto da Igreja Apostólica da Santa Vó
Rosa, faz uma avaliação de seus 25 anos condicionado aos ensinamentos da
seita. Depois de dificuldades para 'escapar' da seita, encontra ajuda por
meio da leitura
da revista Defesa da Fé.
por Márcio Souza
Durante 25 anos o irmão Anselmo freqüentou a Igreja
Apostólica da Santa Vó Rosa. Inicialmente, seus pais ficaram envolvidos com
o desenvolvimento da nova seita, depois sua mãe abandonou o movimento. Sua
vida foi dividida em se dedicar aos ensinos e doutrinas da seita e sofrer
devido aos problemas familiares desencadeados por divergências doutrinárias.
Mas, finalmente, graças a Deus, ele foi alcançado pela luz do Evangelho.
Esta seita tem algumas características peculiares: Eles
acham que o Espírito Santo literalmente é a própria pessoa da "Vó Rosa". E o
seu primaz, sobrinho da "Vó Rosa", alega receber orientações da mesma, ou
seja, isso caracteriza uma sessão mediúnica. Além disso, crêem na
intercessão da Virgem Maria e "Santa Vó Rosa". Para maiores informações
sobre essa seita, consulte as edições 14 (p. 39) e 15 (p. 6) da revista
Defesa da Fé.
DF- Como começou seu envolvimento com a Igreja Apostólica? (IA)
Anselmo - Minha família se envolveu com esse movimento logo no seu
início. Cresci acompanhando meus pais aos cultos. Para mim, parecia uma
igreja evangélica, mas eu não tinha permissão de visitar outras igrejas. O
sistema em que vivia era muito autoritário. Também notava que minha mãe se
sentia desconfortável e sempre dizia que havia muito autoritarismo nas
reuniões.
Minha mãe ficou algum tempo na seita, depois voltou ao
Evangelho, hoje ela freqüenta uma congregação da Igreja Assembléia de Deus,
aqui em São Paulo. Contudo, meu pai continua sendo um fiel adepto da Igreja
Apostólica Santa Vó Rosa.
DF - Como é o dia-a-dia de um membro da IA?
Anselmo - Existe um longo regulamento interno que orienta a vida do
membro. Esperava-se que estivesse sempre nos cultos e uma ausência
prolongada já poderia significar exclusão. Principalmente os jovens se
sentem 'sufocados' com tantos ditames, sobre o que fazer e o que não fazer.
Mesmo entre os jovens de uma congregação não pode haver recreação, nenhum
entretenimento. Embora a IA tenha um sítio que foi doado para a igreja, não
é permitida nenhuma recreação ali.
DF - Como são os aconselhamentos, havia algum tipo de punição para os
membros?
Anselmo - Um membro da IA é geralmente policiado, qualquer problema
que chegasse aos ouvidos da "Vó Rosa", ou da missionária Odete, era
suficiente para declarar exclusão, antes mesmo de conferir ao membro o
direito de resposta. Geralmente diziam que - após a morte de "Vó Rosa" - ela
havia aparecido ao primaz e declarado que tal membro deveria ser excluído.
Quando os membros têm problemas familiares buscam a ajuda do primaz Aldo.
DF - A "Vó Rosa" era autoritária?
Anselmo - "Vó Rosa" era muito autoritária, até mais exigente que a
missionária Odete e o esposo, Eurico, que era considerado bispo pelos
adeptos. Rosa tinha o costume de vigiar a vida alheia e literalmente
carregava uma fita métrica para medir as saias das irmãs. Se alguma irmã
usasse uma saia com menos de dois dedos abaixo da 'batata-da-perna', ela
punia. Ela se mostrava desequilibrada e exigia que as pessoas ao redor
pensassem como ela. Realmente, sua morte foi um alívio para muita gente,
pois muitos não mais suportavam sua atitude mesquinha.
DF - Quando foi que surgiu a idéia que "Vó Rosa" era o novo
Consolador?
Anselmo - "Vó Rosa" morreu num acidente de trânsito na cidade de Poá,
São Paulo, em 26 de outubro de 1970, quando tinha 76 anos de idade. Já na
década de 60 ela havia recebido uma 'revelação', onde dizia que Jesus lhe
havia constituído para abrir uma igreja, a Igreja Apostólica, esta igreja
seria a restauração do Evangelho.
Seu corpo foi embalsamado e ficou exposto na igreja,
sendo velado durante uma semana. Com certeza, isso foi de grande impacto
para os membros, e houve clamor para que seu corpo ressuscitasse. A IA
ensina que a alma somente deixa o corpo no sepultamento. Evidentemente, ela
não ressuscitou, daí os líderes da IA interpretaram sua morte como um
arrebatamento. Então, começou a formar-se uma idolatria ao redor de sua
pessoa.
DF - Quando "Vó Rosa" ainda era viva, ela apregoava alguma revelação?
Anselmo - Sim, durante os 16 anos de sua vida na IA, ela
constantemente dizia ser arrebatada ao Céu. Ela era reconhecida como um
porta-voz de Deus. De fato, as doutrinas e regulamentos da igreja eram todos
relacionados com tais arrebatamentos.
DF - A IA desenvolveu algum ensinamento no campo escatológico
(Doutrina sobre a Consumação do Tempo)? Eles fizeram alguma previsão quanto
ao Arrebatamento?
Anselmo - Sim, a missionária Odete, que ainda está viva, e tem mais
de 80 anos, tem afirmado com autoridade profética que não morrerá, mas será
arrebatada com a igreja. Em diversas reuniões ela tem declarado que verá o
Arrebatamento. Isso tem causado muita expectativa nos membros.
DF - Como é a liturgia dos cultos da IA?
Anselmo - O culto é bem diferente das igrejas evangélicas e existem
alguns aspectos que demonstram que o culto deles é realmente direcionado aos
seus líderes. As orações são feitas em nome da "Santa Vó Rosa" e os hinos
sempre mencionam o primaz Aldo. Seus ensinos são baseados nas revelações de
"Vó Rosa", quando usam a Bíblia, simplesmente lêem algum versículo e lhe dão
o crédito de oráculo, mas não têm a Bíblia como regra de fé e conduta.
DF - Será que os membros da IA não ponderam quanto ao abismo que
existe entre suas crenças e a doutrina evangélica?
Anselmo - A IA tem um Regimento Interno (RI) muito restrito. Esse RI,
para eles, é semelhante à Bíblia, em autoridade. Os membros sabem exatamente
o que devem fazer, sobre cada detalhe do dia-a-dia. Isso lhes transmite uma
sensação de santidade e uma segurança. Inclusive a IA é comparada à Arca de
Noé, o atual lugar de salvação.
O que os identifica como igreja verdadeira é seu
conjunto de regras que advém de suas comunicações com o bispo primaz, Aldo
Bertoni. Contudo, não percebem que estão consultando espíritos por meio da
mediunidade do primaz, ou seja, tendo condutores cegos estão coando um
mosquito e engolindo um camelo (Mt 23.24).
DF - Como o irmão conseguiu sair dessa seita?
Anselmo - Inicialmente, comecei a ficar decepcionado com o
policiamento, que era constante. Também havia alguns familiares que não
tinham negado a fé cristã, e os confrontos que seguiam sempre me faziam
pensar. A minha esposa é presbiteriana, e sempre conversava com o pastor da
igreja que também era meu cunhado.
Mas, ainda assim, havia muitas dúvidas. Não conhecia a
Palavra de Deus, pois nós não éramos incentivados a ler a Bíblia.
Geralmente, o pastor ou bispo da IA apenas lia dois ou três versículos e
expunha sua opinião, sempre levando em conta alguma revelação da "Vó Rosa",
ou aplicando o texto em sua vida.
Não tínhamos nenhuma liberdade quanto à leitura da
Bíblia. Nem mesmo podíamos estudar livros evangélicos. Apenas o que era
publicado pela seita. Quando saí da IA ainda conservava alguma preocupação
quanto aos ensinamentos, principalmente se o Arrebatamento realmente
ocorrerá antes da morte da Odete.
Seu corpo foi embalsamado e ficou exposto na igreja,
sendo velado durante uma semana. Com certeza, isso foi de grande impacto
para os membros,
e houve clamor para que seu corpo ressuscitasse.
DF - O irmão tem ainda problemas com a doutrina anterior da seita?
Anselmo - Quando uma pessoa está envolvida numa seita ela fica cega,
crê em tudo o que lhe dizem sem fazer nenhuma objeção. Ao sair da IA,
estando livre para ler a Palavra de Deus, comecei a ver que os ensinos deles
não eram encontrados na Bíblia. Além disso, adquiri um exemplar da revista
Defesa da Fé, que estava explicando as implicações dos ensinos dessa seita.
Agora, sem a cegueira da credulidade, comecei a
verificar os pontos que a revista Defesa da Fé estava esclarecendo.
Realmente, a IA estava comprometida com o espiritismo, pois até hoje
consulta a "Vó Rosa" para conduzir seu rebanho. Não somente este artigo
específico, mas diversos outros artigos que me ajudaram a ver o perigo das
seitas e suas características.
Realmente, as seitas condicionam a mente dos adeptos, e
não permitem que usem suas faculdades para compreender a Palavra de Deus e
coíbem qualquer idéia que pareça distanciar dos objetivos do grupo.
Fiquei impressionado com a clareza da revista Defesa da Fé, em abordar
questões tão importantes.
DF - Qual foi a reação dos seus familiares que ainda são adeptos da
IA?
Anselmo - Eu tive problemas com alguns familiares, pois não aceitavam
que deixasse a IA e freqüentasse outra igreja. Também procurei alertar
alguns familiares sobre as implicações desses falsos ensinos, mas tive
muitos problemas. Hoje não sou tão polêmico, mas sempre digo que estou à
disposição para explicar-lhes a fé cristã. Tenho incentivado meus familiares
a procurar averiguar se os ensinos da IA realmente estão à luz das
Escrituras.
DF - Como está hoje sua vida diante de Deus e das Escrituras?
Anselmo - Hoje posso estudar a Palavra de Deus e tenho crescido
espiritualmente. Embora lamente a situação daqueles que ainda estão lá,
sempre tenho orado por eles. Tenho dedicado minha vida a Deus e à minha
família, criando meus filhos no Evangelho e juntos congregamos em uma igreja
Presbiteriana. Também tenho o desejo de alertar quanto ao engano das seitas
e enfatizar a importância de se ter um bom conhecimento das Escrituras.
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