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Paraíba, 30/12/2006
Governo iraquiano confirma enforcamento de Saddam Hussein

sad1.jpgBAGDÁ - O ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, foi enforcado hoje (sábado) entre 5h30 e 5h45 (0h30 e 0h45 de Brasília) em Bagdá, quatro dias depois de o Tribunal de Cassação ratificar a sua sentença de morte, junto com dois de seus antigos assessores, um deles o seu meio-irmão Barzan al-Tikriti, confirmou Mariam al-Rais, assessora do primeiro- ministro iraquiano. "Parabéns a todos os iraquianos, o criminoso foi executado", afirmou Rais à televisão estatal "al-Iraquiya".

O ex-presidente iraquiano, derrubado em abril de 2003 por uma invasão comandada pelos Estados Unidos, foi condenado em novembro por crimes contra a humanidade pelas mortes de 148 xiitas de Dujail após uma tentativa de assassinato em 1982.

Segundo o governo iraquiano, o primeiro a ser executado foi Saddam, seguido por Barzan. O último foi Awad al-Bandar, um ex-juiz do regime deposto.

O local exato da execução não foi revelado, mas Rais afirmou que o Governo divulgará mais tarde fotos de Saddam tiradas durante a execução.

Uma corte de apelação manteve a pena de morte nesta terça-feira. O governo iraquiano manteve em segredo seus planos para conduzir a execução em meio a preocupações de que ela poderia levar a atos violentos entre os ex-partidários de Saddam.

O JULGAMENTO

sad2.jpgO ex-presidente iraquiano Saddam Hussein manteve uma postura desafiadora até o final do julgamento que terminou por condená-lo à morte.

Sempre deixando claro que não reconhecia a autoridade do tribunal, o réu chegou a qualificar o processo judicial como uma "comédia" e como um show montado pela coalizão de governo xiita e curda, apoiada pelos Estados Unidos.

Nos 14 meses de julgamento, Saddam - que continuava se apresentando como "presidente do Iraque" - foi expulso diversas vezes do tribunal por desrespeitar os procedimentos.

Saddam foi condenado à morte por fatos ocorridos em Dujail, uma aldeia agrícola xiita cerca de 60 quilômetros ao norte de Bagdá. Ali, o então presidente iraquiano havia sido vítima de um frustrado atentado contra a sua comitiva, cometido por jovens locais, em 1982.

Segundo os promotores, Saddam se vingou de forma brutal, ordenando que seus comandantes caçassem, torturassem e matassem mais de 140 moradores de Dujail. Mulheres e crianças teriam sido retiradas à força da aldeia, presas e posteriormente mandadas para campos de confinamento no deserto, onde muitas acabaram 'desaparecendo'. Os campos aráveis da aldeia, antes cheios de tamareiras e hortas, foram salgados e inutilizados.

O QUE SADDAM ALEGAVA

Em março, Saddam admitiu ter ordenado os julgamentos que levaram à execução de dezenas de xiitas na década de 1980, mas disse ter agido de acordo com a lei, nas suas atribuições presidenciais.

'Eu os submeti à Corte Revolucionária, conforme a lei. Awad (Al Bander, então presidente do tribunal, também réu no processo) estava implementando a lei, tinha o direito de condenar e absolver.'

'Eu os destruí. Especificamos os campos dos que foram condenados e assinei. É direito do Estado confiscar ou indenizar. Então onde está o crime?'

O QUE AS TESTEMUNHAS DIZIAM

Muitas das testemunhas do julgamento, que era exibido pela TV, depuseram atrás de cortinas e usando um efeito de computador para distorcer suas vozes, pois temiam represálias.

Numa audiência em dezembro de 2005, Ahmed Hassan, 38 anos, contou como ele e seus parentes foram detidos e torturados. O grupo teria sido levado para um departamento de inteligência, em Bagdá, comandado por Barzan Ibrahim Al Tikriti, meio-irmão de Saddam.

'Juro por Deus, andei por uma sala e vi um moedor com sangue saindo e cabelo humano por baixo', afirmou.

Em outra audiência, uma mulher identificada apenas como Testemunha A, descreveu, aos prantos, como carcereiros a obrigaram a se despir, lhe deram choques elétricos e a açoitaram com cabos. A Testemunha B, uma septuagenária, disse que seu marido, cinco filhas e dois filhos foram presos.

Outra testemunha, anônima, disse que Barzan estava presente quando ele foi torturado em Bagdá. 'Durante o interrogatório eles me torturavam, e Barzan estava lá comendo uvas. Eu gritava. Sou um velho. Ele estava lá.'

Fonte: Último Segundo - Ig

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